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Família de paciente que ficou com pinça dentro do corpo afirma que hospital omitiu erro e fez cirurgia para retirada sem avisar

Tomografia mostrou pinça cirúrgica dentro do corpo do paciente após cirurgia em João Pinheiro Rádio Nova FM/Arquivo Pessoal/Reprodução A família de Mano...

Família de paciente que ficou com pinça dentro do corpo afirma que hospital omitiu erro e fez cirurgia para retirada sem avisar
Família de paciente que ficou com pinça dentro do corpo afirma que hospital omitiu erro e fez cirurgia para retirada sem avisar (Foto: Reprodução)

Tomografia mostrou pinça cirúrgica dentro do corpo do paciente após cirurgia em João Pinheiro Rádio Nova FM/Arquivo Pessoal/Reprodução A família de Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, que morreu na véspera do Natal no Hospital Municipal de João Pinheiro, no Noroeste de Minas, afirma que a instituição realizou a cirurgia para retirada da pinça cirúrgica esquecida no corpo do paciente, sem autorização prévia, além de ter omitido o erro médico. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de João Pinheiro confirmou que houve a retirada de um corpo estranho durante a cirurgia do paciente e alegou que Manoel estava em estado grave, com várias comorbidades. A pasta informou ainda que reforçou protocolos de segurança e notificou a abertura de sindicância para apuração rigorosa do caso. Leia mais abaixo. Segundo os parentes, a informação só veio à tona depois da morte do idoso, a partir de uma denúncia feita por uma rádio da cidade, que tem cerca de 46 mil habitantes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), Manoel passou por uma cirurgia de urgência no dia 5 de dezembro, após ser internado com uma úlcera gástrica. A equipe médica informou que o procedimento havia transcorrido normalmente. O paciente permaneceu dois dias na UTI e depois foi transferido para o quarto. Durante a internação, Manoel apresentou sinais de dor intensa e sonolência excessiva, o que preocupou a cuidadora contratada pela família. No dia 11, após suspeita de um AVC, foi feita uma tomografia. Logo depois, segundo relato dos familiares, profissionais chegaram ao quarto de forma apressada e levaram o paciente para uma nova cirurgia, sem explicar os motivos e sem solicitar autorização formal da família. Após o segundo procedimento, os médicos informaram que haviam retirado um dreno e pus da cavidade interna, sem detalhar o procedimento. Manoel voltou para a UTI, mas não resistiu e morreu no dia 24 de dezembro, um dia antes de completar 69 anos. Advogado aguarda laudos ao hospital Segundo o advogado da família do idoso, Iuri Evangelista Furtado, as medidas legais começaram a ser adotadas depois que o exame de tomografia foi divulgado na imprensa local. A imagem indicaria a presença do instrumento cirúrgico no corpo do paciente. O advogado acompanha as apurações da Polícia Civil e afirmou, em nota, que vai requisitar todos os prontuários, laudos, exames e registros clínicos e administrativos do Hospital Municipal. "A família não busca vingança, mas sim verdade, justiça e respeito à memória do senhor Manoel, bem como a proteção de outras vidas para que fatos semelhantes jamais se repitam", disse. Procurada pelo g1, a Polícia Civil informou que, por estar em regime de plantão, não poderia repassar informações sobre o caso. LEIA TAMBÉM: Médico é condenado a pagar R$ 100 mil após operar olho errado e deixar idoso cego em MG Hospital de Uberlândia é autuado pela Vigilância por insumos vencidos Menino morre após cirurgia e família alega negligência médica em Ituiutaba O que disse a Prefeitura de João Pinheiro "A Secretaria Municipal de Saúde e a Administração Pública Municipal vêm, por meio desta, prestar esclarecimentos a respeito do falecimento do Sr. Manoel Cardoso de Brito, ocorrido no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares. O referido paciente deu entrada no hospital no dia 05 de dezembro de 2025, encaminhado pela UPA, apresentando quadro grave de vômitos com sangramento, associado a sequelas neurológicas importantes e rebaixamento do nível de consciência. Nessa ocasião, foi identificado um corpo estranho na cavidade abdominal. Imediatamente, a acompanhante foi comunicada da necessidade de reabordagem cirúrgica, sendo o paciente prontamente encaminhado ao centro cirúrgico. Durante o segundo procedimento, não foi constatada perfuração de alça intestinal, e as suturas do procedimento anterior encontravam-se íntegras. O procedimento foi realizado sem intercorrências adicionais. No dia seguinte, a família foi novamente informada sobre o procedimento realizado, bem como sobre a identificação e retirada do corpo estranho. Ressalta-se que o paciente deu entrada na unidade hospitalar em estado clínico extremamente debilitado, com quadro infeccioso já instalado, idade avançada e histórico de cardiopatia, diabetes, arritmia cardíaca e graves sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), condições que contribuíram significativamente para a evolução do quadro e para o desfecho ocorrido. Ao tomar conhecimento dos fatos, a Direção Administrativa e Técnica do Hospital adotou imediatamente todas as providências cabíveis, incluindo a notificação de evento adverso, a apuração das barreiras de segurança, o reforço dos protocolos de segurança do paciente, bem como a notificação à ANVISA, para instauração de sindicância e apuração rigorosa dos fatos. Também foi realizada reunião com toda a equipe cirúrgica, com registro em ata das medidas adotadas. Por fim, o Município manifesta sua solidariedade aos familiares e reafirma que permanece à disposição para prestar toda a assistência necessária, bem como para fornecer esclarecimentos adicionais, sempre pautado pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde pública." Quando um erro médico vira caso de Justiça? Advogado orienta sobre quando um erro médico pode virar caso judicial VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas